OK. Este é um blog que foi criado pra falar da construção da nossa casa. As vezes, acabamos falando também de outras coisas que aconteceram durante a obra, porque achamos que no futuro sempre vai ser bacana lembrar de tudo o que rolava enquanto nossa casa tomava forma…
 
E já que é pra falar de outras coisas que aconteceram fora do canteiro de obras (mesmo que seja um fato triste pra caramba) não posso deixar de fazer uma homenagem ao nosso cão mais velhinho, que infelizmente se foi ontem.
 
O Billy viveu durante pouco mais de 11 anos, sempre no sítio dos meus pais. Lembro até hoje que ele “chegou” até nós meio por acidente, pois fazia parte da ninhada do sítio de um vizinho, que não sabia o que fazer com tantos filhotes, e nos ofereceu um deles. Nem ele, nem os pais eram cães de raça. O “documento” dele indicava o famoso SRD (Sem Raça Definida, um nome mais pomposo pra vira lata) mas acabou virando um cão enorme, do porte de um fila ou pastor alemão. Era, sem dúvida, um vira lata “de responsa”!
 
Nas primeiras semanas, era tão pequeno que mal conseguia subir um degrau de pouco mais de 20cm. Depois de lutar muito, dava um jeito e subia capotando o corpo desengonçado (afinal, era pra chegar perto da churrasqueira). Nessa época, tinha a mania de deitar em cima do meu pé, e pegava no sono…
 
O bicho foi crescendo, e junto com ele o famoso rabo. Como ele estava sempre numa boa, passava com aquele rabão balançando, que batia com força na perna de todo mundo, ou derrubava o que estivesse pelo caminho…Um legítimo descendente de dinossauros!
 
Volta e meia, inventava de comer uma fruta. Deitava embaixo das árvores, prendia a fruta entre as patas, e mandava ver. Mais de uma vez eu vi “o cão chupando manga”, numa boa…
 
Quando estávamos por lá, tinha a mania de ficar deitado embaixo de uma mesa, onde o aparelho de som ficava ligado o dia todo. Dava a impressão que o que ele mais gostava de fazer era curtir um som com a família e os amigos. Se alguém falasse o nome dele, o cão imóvel abria o olho e começava a balançar e bater o rabão com força no chão, como se fosse uma resposta ao chamado…
 
Mas o tempo passou, e para um cão do porte dele, esses 11 anos significavam quase 90 para um humano. Já não tinha mais a mesma energia para correr e latir atrás de rodas (qualquer uma…de bicicletas a carros…DNA legítimo de vira latas…rsrsrs) e nosso último encontro, na páscoa, mostrou que ele não estava legal. A visita do veterinário deu algum alívio, mas já dava sinais que não havia muito o que se fazer.
 
Pouco antes de entrar no carro para voltar para casa eu fui até ele, que estava deitado na grama. Fiquei alguns minutos falando e mexendo com ele. O rabo não balançava. Não falei isso pra ninguém, mas por mais que eu não quisesse, sentia que talvez aquele seria nosso último encontro…
 
Na semana seguinte, o caseiro ligou para dizer que ele havia piorado. Foi levado para a cidade para fazer um ultrassom, que mostrou um diagnóstico sem chances de tratamento. Foi medicado para não sentir dor, e resolvemos acompanhar como ele se sentiria.
 
Nem vou entrar nos detalhes do que aconteceu nas semanas seguintes, mas o fato é que ele piorou rapidamente, e chegou num ponto onde já não tinha mais qualidade de vida. Falamos novamente com o Veterinário, que disse que a situação era irreversível, e o bicho sofreria bastante dali em diante. Tivemos de tomar uma difícil decisão, e optamos por deixá-lo descansar com o mínimo de sofrimento possível. Mesmo sabendo que era o mais certo a fazer, foi duro demais tomar a decisão…
 
Enfim, Amigão: Onde quer que você esteja, repito aqui o que te falei na nossa última “conversa” ao vivo : VALEU POR TODOS OS BONS MOMENTOS QUE VOCÊ NOS PROPORCIONOU !
 
Um dia a gente se vê por aí…E vê lá em quem você vai bater esse rabo agora…!
 
Edu  😦

Curtindo um som embaixo da mesa...

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